Terei tempo?

Numa magnífica reviravolta do destino, pouco tempo após o último post que aqui aparece encontrei emprego, acabei a tese e, surpresa, fiquei sem tempo.

É um trabalho interessante, intenso e estou a adorar. 

O que me falta agora, de facto, é regressar à escrita. 

Em 2017 regresso. 

#resoluções 

 

Werk!

A ausência de escrita não se deve a ausência de vontade. Não se escreve porque de repente há dois projetos com o mesmo prazo e estou a salvar as palavras para relatórios e outros outputs do género. Vemo-nos no outro lado destas semanas, apenas para depois finalizar uma tese de doutoramento. Portanto vemo-nos em Abril.

No pressure!

Vivo numa casa com uns 40 anos de idade. Talvez mais. Há 8 anos que o meu duche se assemelha ao que apenas podemos considerar um fluxo mediano de urina morna. Até que o senhor que vive cá em casa foi desmontar a misturadora e se apercebe de uma borracha com um filtro entre a saída da água e a misturadora.
Eventualmente esclareceram-no que se tratava de um redutor de caudal, ideia de génio para uma casa velha, apesar da canalização nova e cuja distância entre esquentador e banheira é de aproximadamente 12km. 
Agora temos torneira nova, chuveiro novo e nada de obstáculos entre a água e a misturadora. Um forte abraço e vemo-nos em Agosto, que eu vou tomar banho.



Papilas a zero

As constipações e as sinusites e essas bodegas ainda não me abandonaram neste longo Inverno que quase não chegou a ver Outono. Tive uma janela de meio dia para provar as coisas do Olhó Cabaz e depois pif, foi-se o olfato e o paladar. Estou bonita, eu. 
(Do que provei era tudo muito bom e dizem-me cá em casa que sim, que são produtos de qualidade).

A ver o que esta semana nos traz...

To bio or not to bio

A moda da comida biológica nunca fez sentido na minha cabeça. Porque para mim a comida sempre foi biológica.

A minha mãe, mesmo exercendo uma profissão, quase todos os anos manteve um galinheiro. A minha avó também, tinha coelhos, galinhas, árvores de fruto e uma faixa de quintal onde plantava de tudo. Os meus pais mantiveram a tradição de ter sempre algumas coisas no quintal, mesmo que poucas. Ainda este ano comi mais feijão verde do que nunca porque os feijoeiros davam mais de um quilo por dia. A minha sogra é uma hortelã de excepção e traz-me courgettes e alhos franceses do seu próprio quintal. A comida sempre me soube ao que devia saber.

Chegado o meu momento de fazer compras para a casa, desatei a fazer experiências. Ora na mercearia, ora na praça, ora no supermercado. A praça tem sido sempre a melhor escolha porque os produtores estão lá nas bancas. Mas as horas são as que sabemos, os supermercados têm os detergentes e as pastas de dentes, já estou aqui, levo as maçãs. Facilitamos. E até podem ser maçãs de Alcobaça que sabem sempre um bocado ao lava tudo (honrosas excepções a alguns supermercados, que têm coisinhas mais jeitosas).

Durante cerca de um ano fui assídua do Prove, projecto que faz um excelente trabalho mas que, para mim, não funciona porque é preciso ir buscar a um local específico. Mas as maçãs sabiam mesmo a maçã. E as cenouras faziam um creme cor-de-laranja vivo. Mantendo a fé neste modelo de distribuição, localizada e voltada para o produtor, procurei durante muito tempo algum que distribuísse na minha zona.

E agora encontrei. O Olhó Cabaz distribui na margem sul cabazes recheados de maravilhosidades directamente de produtores de Palmela e Azeitão. Na próxima sexta-feira chega o meu primeiro cabaz misto e se a qualidade for equivalente ao entusiasmo que eles próprios transmitem temos aqui uma amizade para a vida.

Tão mais fácil

No outro dia uma colega dizia-me "Não tenho tempo para pensar em dietas, dá muito trabalho!". E eu pensei que esse era exactamente o meu argumento há seis meses. Hoje noto que dá, incrivelmente, menos trabalho. Por exemplo, imaginem a limpeza que é uma lista de compras simplificada quando se come assim: 

Pequeno-almoço: iogurte com sementes de chia e mirtilos. Na loucura, uma fatia de pão com fiambre de aves.
Meio da manhã: uma maçã e um punhado pequeno de nozes.
Almoço: Sopa de legumes. Salmão no forno com uma batata cozida por pessoa e muita salada mista.
Lanche: um ovo cozido e uma maçã (confiem em mim, não vão sentir fome).
Jantar: caldo verde (com courgette em vez de batata) e um queijo fresco. Ou então, se houver mais fome, sopa de legumes seguido de uma perna de frango no forno com pouca gordura na confecção apenas com salada ou legumes cozidos. 

Os truques: 
- A sopa. É como beber um monte de legumes de uma assentada sem dar por ela. Faz muito bem aos interiores e sacia para não exagerarmos no prato principal. A sopa sem batata era para mim um enorme mistério mas vai-se a ver e entre courgette e couve-flor, nem dou pela falta do maravilhoso tubérculo que me enche os sonhos na sua forma frita (o calcanhar de Aquiles).
- Muitas aves e poucas carnes vermelhas. Atum em água, salmão, pescada. Muito mais refeições vegetarianas.
- A chia. É moda e o caneco mas graças à moda vende-se em todo o lado e rende muito porque são sementes pequeninas e é para comer uma colher de sopa de cada vez. E sacia como tudo, parece mágico. Deixem-nas dentro de água durante uma hora e vejam o efeito. É o mesmo que acontece no vosso estômago, parece que comeram o dobro.
- Dormir cedo e cedo erguer. As noites dão uma fome que não se pode. Quanto mais tarde mais fome se tem. Quanto mais tarde mais porcaria apetece. O truque é ir dormir mais cedo. Agora que tenho um pequeno ainda tenho mais motivação para domir cedo porque se ele decide acordar às 7h30 ele ACORDA às 7h30. Se fico até mais tarde vou comer um iogurte magro com umas sementes - poucas - de chia.

Juro por tudo que não me sinto em dieta. Faço comida saborosa, cheia de ervas, muito forno e bimby e panela de pressão e muitas variações dos exemplos acima. Aprendi que muita comida étnica é particularmente saborosa sem calorias extra ou com variações mínimas, por isso tenho-me aventurado especialmente na comida indiana e goesa. 
Resvalei nas festas, claro, mas não muito que, tal como aconteceu em Setembro, o meu estômago ao fim de alguns fritos diz NOPE!  Portanto fiz desta época festiva a minha bitch e acabei a perder um quilo. No fim das contas isto tudo deu 10 quilos a menos desde Agosto. Agora era arranjar motivação para ir dar umas corridas e ficava aqui que sim senhor! 

Projecto procura de emprego 2015

Depois de 6 anos num Museu, 5 com bolsa de doutoramento e tarefas de alguns meses pelo meio, vou dar comigo em Fevereiro pela primeira vez à procura de emprego. Com 35 anos fui sempre referenciada, recomendada ou fiz-me à vida (no caso da bolsa). Quase nem sei por onde começar. E ainda tenho uma tese para acabar sensivelmente até Março.

E estou numa encruzilhada: ou corro para o pós-doc, sempre sem garantias, e em conseguindo tenho uns anos de rendimentos a fazer o que amo mas fora do mercado de trabalho (ahhhhhh o regulamento da FCT e as suas regras de acumulação de trabalho docente!) ou arrisco e dou o salto para uma coisa nova, também ela incerta e sabe-se lá por quanto tempo. 

Ambas apresentam as suas vantagens, o pós-doc é um momento ainda confortável, mais exigente que o doutoramento mas também já com outra experiência. Arriscar para uma novidade, para um emprego emprego, é altamente aliciante e fazer uma coisa nova teria tanto de frustrante (sabeis que ando a investir nisto há 10 anos? DEZ!) como de maravilhoso.

Ainda espero sonhar com uma ideia brilhante, um projecto que me lance para o estrelato empresarial. Cupcakes atómicos. Um serviço de banhos e tosquia de hamsters. Um solstício de bolso. 

Diz uma sábia amiga que temos que plantar sementes e elas eventualmente vão dar fruto. Eu é que nunca fui muito boa a jardinagem... na dúvida planto tudo quanto tiver à disposição. Se me nascer um rábano em vez de uma couve logo vemos.

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Pois que já foi

Este ano a consoada foi cá por casa (caos) e depois levámos a banda toda para os lados de Sintra no 25. O excitamento do pequeno foi tal que esta noite decidiu não dormir. Estou privada de sono mas queria mesmo aparecer aqui hoje para desejar uma continuação de boas festas a quem cá aparece. Obrigada pelo carinho. Que 2015 traga longa vida a este canto.

 

Ponto de situação

A ausência foi grande mas por bons motivos: recomecei a trabalhar (só até Dezembro, lancemos apenas um pequeno foguete). É um projecto de loucos porque temos pouquíssimo tempo para o realizar mas é maravilhoso porque sinto-me viva e normal e saio e vejo gente. 

A bolsa foi um bom momento, tive tempo para ter um filho, para cuidar dele até aos dois anos, para escrever uma tese que agora está em fase de revisões (no prazo, bitches!). Mas precisava TANTO de voltar a estar com pessoas. Saiu-se-me pessoas de jeito, também, o que é uma sorte. E depois o pequeno acabou por ter que entrar para a escola, o que está a fazer bem a toda a gente porque dois anos de mãe-bolseira já foi giro mas já chegava e o pequeno precisa de fazer amigos.

A reeducação alimentar continua em força - não é dieta, não quero saber, vou usar o termo da moda - e o corpo também não tem ajudado a fazer grandes asneiras. Perdi 7kg e por agora sinto-me confortável com este peso. Quero chegar aos 55kg eventualmente mas o que eu não quero voltar a ver é 60kg na balança. Parece pouco e "nhe nhe só 60kg, vê lá se te cai um pé!" mas faz uma diferença imensa passar dos 66 aos 59. As calças não me servem, os tops assentam melhor e o joelho agradece tanto  (mas tanto!).

As refeições continuam a não ter hidratos de carbono à noite, reduzi drasticamente o consumo de açúcar e, sobretudo, não consigo comer coisas com gordura que o corpo diz logo NOPE! e lança violentamente para fora. Exemplo: no dia de aniversário do pequeno fiz asneira da grossa (mas mesmo, estava em dieta há dois meses, tinha tanta fome comi tudo quanto havia para comer na mesa) e essa noite foi daquelas que ficou na memória.

E estou de volta, espero, apesar de se avizinhar uma fase valente de trabalho. Mas estou de volta.  

 

A decisão

Há meses e meses que o homem me pedia "faz comida mais ligeira, por favor faz frango grelhado a todas as refeições!" e eu nada, continuava com as lasanhas e outras massas, com as ceias de pipocas, com um desvio no McDrive. Eu não preciso de perder peso, penso. Ele é que precisa, o médico até mandou!

Mas o Verão é um carrasco cruel e lá estava eu, branca e gorda. Não um gorda-obesa, um tipo de gorda que faz com que metade das pessoas te vejam como "estás bem" e outra metade como "estás a engordar", é um tipo de gorda insidioso e que não permite vestir algumas coisas e nos faz parecer imensas nas fotos, com uma cabeça minúscula em perfeita desproporção com o rabo. Lanços de escadas sem me cansar? Não compreendo. Sempre cheia de sono porque o corpo está a processar hidratos e mais hidratos? Pois tá bem, deixa. 

Falei com muita gente, há muitos que estão a decidir ir por um caminho mais saudável. O meu cunhado perdeu muito peso porque também ele tomou uma decisão, foi uma perda lenta e pensada, acompanhada de exercício mas um ano e tal depois nota-se que os quilos não vão regressar. Uma amiga alterou radicalmente a sua maneira de lidar com a comida, mais pela saúde que pelo peso, especialmente depois do workshop do Projecto Safira. Li o livro da Catarina Beato. Adicionei diversos blogs de comida saudável ao feedly. Vi o documentário Forks Over Knives. E no meio disto tudo deu-se o clique, não posso continuar neste caminho. No mínimo, tenho a responsabilidade de dar o exemplo de uma alimentação equilibrada ao meu filho, não lhe posso exigir isso sem o fazer. E é vaidade, não o escondo, pura vaidade.

Os passos estão a ser lentos mas firmes: eliminar aos poucos tudo quanto seja ruim cá em casa, os açucares brancos, as massas e os arrozes não integrais; comprar sempre montes de legumes e pôr verdes em tudo, fazer do acompanhamento vegetal a maior parte do prato. As refeições são sempre precedidas por sopa. De vez em quando sumos, que não têm obtido muito consenso familiar. De manhã como pão mas tento sempre que seja integral ou de sementes.

Comer fora da refeição era o meu grande problema (acho que é o de muita gente). Gosto de lanchar, de pão, de fiambre, de manteiga e queijo e gosto de comer de noite. O livro da Catarina é muito bom para ideias de snacks. Agora estou numa de iogurtes com chia (que magnífica é a chia!), de um punhado de nozes e passas, de fruta. Assim que me sinto saciada paro. Ainda não consegui abandonar a manteiga e o açúcar em excesso mas tudo a seu tempo.

Em quase dois meses sinto que a minha barriga diminuiu consideravelmente e perdi algum peso. Muita roupa deixou de me servir (calças sem cinto já não existem) e outra voltou a servir (uns tops que eu só usava por baixo de outra roupa e que trepavam barriga acima), o que é impressionante. A mudança mais relevante é não me sentir tão cansada, não sinto necessidade de dormir a sesta; estou curiosa para ver como será quando regressar ao trabalho. A outra grande mudança é não conseguir comer gordura sem ficar enjoada. Em férias no Algarve não me portei nada mal mas quando tentei comer uma pizza (duas fatias, honestamente) só me sabia a gordura, fiquei enjoada a tarde toda. 

A decisão começou por ser refeição a refeição, pensar bem antes de abrir o frigorífico, escolher os legumes em vez das batatas fritas, comer quatro bolachas torradas em vez de me sentar em frente à tv até acabar o balde de pipocas, pensar afincadamente no que faria para o jantar. Depois passou a ser intuitivo, em casa já só há frango, peru e peixe, abro a caixa dos legumes e há uma grande diversidade de coisas para escolher. A Catarina também diz no livro que quem não gosta de legumes tem que provar coisas diferentes porque há tanto que comer. Eu agora sei que gosto muito de cenoura e de tomate estufados, redescobri a panela de pressão, com montes de tempero; gosto de pimento de todas as maneiras mas sobretudo assado; beringela e courgette também vão bem. Alface, sempre. Couves na sopa sim. E grão, em hummus, na sopa, a acompanhar o bacalhau. Pasta de atum fica deliciosa com abacate, dentro de uma folha de alface. 

O grande objetivo aqui é reeducar o palato, fazê-lo devagar, sem radicalizar, não estar em dieta mas sim fazer desta alimentação a norma. Porque a norma não devia ser a comida processada e gorda, devia ser isto. Sinto-me no bom caminho. Alguém por aí está comigo? 

Sou um solteirão em potência

O homem da casa foi um tempo para fora ganhar o tostão e eu fiquei aqui com o puto. Escrevo-vos este post no dia 10 de Junho, aparecerá no futuro, quando ele já tiver regressado.

Neste momento já estou há dia e meio a usar guardanapos de papel na casa-de-banho, fui desencantar um conjunto de malgas de plástico do aniversário do garoto pequeno e já não uso loiça, como o iogurte ou o quark e vai directo para o lixo (que ecológico!). Cravo sistematicamente as refeições à minha mãe. Ontem o puto dormiu com a parte de cima pijama mas a parte de baixo fato de treino. O duche e a lavagem dos dentes têm sido tarefas optativas.

Prevê-se que em breve me transforme no George, alopecia e tudo (ai, salvo seja, meu rico cabelo!).

Transient


Para o dia de hoje, uma colaboração

A Vanessa Borges deseja acrescentar à minha teoria da Surdez Nocturna Selectiva e escreveu este magnífico comentário que eu acho que deve deixar de ser comentário e passar a ser maravilhosidade de página principal. Tenho para mim é que a menina Vanessa já abria um blog e a malta linkava-se. Que nem umas malucas.

Fica então o post da Vanessa e a respectiva referência bibliográfica (que fui eu que inventei, não me odeies mas lol, right?).


Borges, Vanessa (2014), Amnésia Nocturna Selectiva, Edições Chão de Feira, Cacilhas.

 

Olá, o meu nome é Vanessa e desde que tive uma filha que descobri que o sono é uma coisa muito sobrevalorizada na nossa sociedade.

A saber, eu dormia demais. Já não me lembro a que horas me deitava, mas não me levantava antes das nove em dias de "levantar cedo", e quando estava a trabalhar só à tarde (ideia só estúpida) não saía da cama antes das onze. Hoje, oito meses depois do milagre da reprodução, vou para a cama às dez e saio às sete, com aventuras várias pelo meio.

Calhou-me ter uma criança linda que mete nojo, mas isso vem com um preço. A sua rechonchudice que a tantos faz soltar uns gemidos e que a tantas, estou certa, faz os ovários arder e os relógios biológicos apitar, paga-se de noite. A miúda come muito. Come às dez quando nos deitamos, e mais três ou quatro vezes até às sete. O pai só pode ir se tiver passado uma hora desde que a deitámos. Porque se tiver passado mais é fome, e para isso tenho que ir eu. Coisas de mamas.

É chato. No hospital, confesso que me perguntava "Mas porque é que esta gaja está a chorar logo agora que eu estava quase a adormecer?". Adormecer pode ser substituído por comer, fazer cocó ou passar um nível dum jogo qualquer. Depois, em casa, fui um zombie, é verdade, e tive que ir à janela às 3 da manhã ver as vistas para ver se não cometia um crime qualquer, que naquela altura era tipo, levantar um bocadinho a voz. Hoje, é tranquils.

Não é só o acordar e ver quem vai, mas é avaliar a situação e saber o que fazer. Será que consigo dar-lhe de mamar sentada na cama ou adormeço a meio e ela cai ao chão (nunca aconteceu... sorriso nervoso)? Será que ela está calma o suficiente para dormir connosco ou vai andar ao pontapé? E se for só abanar a cama? E se a pousar na cama e ela não ficar? E se ela fizer o que tem feito há uns dias que é acabar de mamar, levantar-se, atirar-se para a nossa cama e ficar lá a dormir? Uma pleiade de possibilidades desta só pode ser sinónimo de divertimento. Às vezes são cinco da tarde e eu já só penso "Ai que excitação, como é que vai ser hoje?".

Mas está tudo bem! O sono passa ao fim de uns minutos e não é mais do que quando me levantava "cedo", tipo às dez. Não tenho olheiras, não me cai cabelo, continuo desconcentrada no trabalho, mas isso já vem desde a quarta classe. Já não bufo cada vez que ela acorda, levanto-me e digo "Anda cá bebé coisa mailinda riqueza de sua mãe". Vou-me deitar a pensar em como ela já quase se levanta e acordo a pensar que ela já diz mamã quando me quer a mim. Estou cansada, sim, mas ao fim de semana vai dando para fazer umas sestas, à vez, ou todos ao mesmo tempo. No meu currículo de pessoa humana lê-se "cantora semi-pimba", "mãe que acha que a sabe toda", "amante voluptuosa", mas nunca "indivídua privada de sono e quase ché ché à pala disso".

De maneiras que, por oposição à Surdez Nocturna Selectiva (Oliveira, 2014), eu padeço de Amnésia Nocturna Selectiva (Borges, 2014). É tão boa como a outra, e já a tinha quando andava no álcool, posso continuar a tê-la agora. Gostava de ter a surdez, palavra, mas mesmo que meus ouvidos não ouçam, as ondas da choraminguice da bebé vão tipo sonar bater em meus peitos, que acordam primeiro que eu e eu, que não acordei do choro, acordo da teshérte ensopada em leite. Mas também gosto de ter a Amnésia, que não bate logo de manhã, mas aí às dez (que hoje em dia é quase hora de almoço par mim), já sou a pessoa bem-humorada e encantadora que todos conhecem.

Não estou ansiosa que passe, até porque quando esta passar outras virão, mas vivo bem com esta coisa, porque se assim não fosse, a Júlia não era a Júlia, era outra coisa que até podia ser igual em tudo menos nisto, mas o mais provavel era ser outra coisa. E não tinha tanta piada.

"Dorme bem?", pergunta toda a gente. "Ai não que não dorme!" respondemos nós. Para nós, domir bem é dormir onde, quando e durante o tempo que se quer, e é exactamente isso que ela faz. "Deixa-vos dormir?" Sim, dizemos nós, e acrescentamos em letras miúdas, "duranteduashorasoqueéperfeitamenteaceitavelafinalqueméqueprecisadedormir?". "Andam muito cansados?" Não. Podemos todos dormir quando morrermos. Tá-se bem.

E eu até gosto da segunda-feira

De maneira a preservar a sanidade este fim-de-semana dormi, não liguei o computador - mas não larguei a tablete - comi coisas que fazem bem e estive a curtir o garoto pequeno que está demais de fofes. 

Depois chegou segunda-feira.

Transient


Obsessão

Estou num estado absolutamente obsessivo com a tese. Duzentas e muitas páginas e não vejo fundo ao tacho dos autores que ainda queria integrar. E depois disso ainda há-de vir as sugestões de alterações que serão muito bem-vindas porque, honestamente, já não vejo isto com olhos de gente, já vejo isto com olhos de quem só se quer despachar. Adormeço a pensar na tese, acordo a pensar na tese. Estupidamente, ando bem disposta, que pelo menos vejo movimento. Sou doente.

Transient

 

Nos tempos de lazer - a partir das 22h - tenho visto o The Taste. Eu precisava mesmo de mais um reality show de culinária na minha vida, agora que fiquei sem Masterchef. Se bem que nunca se tem demasiado Bourdain ou Nigella.

Transient


O dia de um garoto de (quase) dois anos

Durante o primeiro capítulo está mamãe em pleno dia de trabalho:

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1. É manhã! QUE BOM QUE GLORIOSO É MANHÃ!

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2. Porque é que não estás a fazer o que eu quero? Porque é que me estás a tirar o pijama? Eu não quero calças. Olha, um pé. Pé pé pé pé. PILINHAAAAAA *puxa com toda a força*

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3. Não quero o pequeno-almoço. Puag. Tá bem. 

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4. Vamos à rua? Vamos à rua? O cão? Cãããããã-ãããão! Vamos à rua? O cão? O cão? O cão?

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5. Não quero ir para casaaaaaa! Olha, estou em casa. Vó! Dá-me atenção! Vó! Vó! Vó!

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6. Ho-ra-da-pa-pa. Papa. PAPA! PAPAAAAA!

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7. Não quero dormir a sesta. Cama não! Não. Nããã zz zzz z z zzzzz zzzzzz

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Interlúdio para escrita.

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8. É DE TARDE? QUE GLORIOSA TARDE, É A MELHOR TARDE DE SEMPRE!!!

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9. Vamos à rua? Rua. Rua. RUA!!!!!!!!

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10. O cão? Não quero estar na rua. Podemos levar o cão? Não quero ir para casa. Não quero tomar banho!!! Nãããão! Tá bem. Cão! Cão! Cãããão!

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11. ADORO O BANHO! O BANHO É O MELHOR MOMENTO DE SEMPRE NA MINHA VIDA!

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12.. Papa. PAPAAAAA!!!!

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13. Olha um balde de legos. O que é que eu lhes faço?

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14. Não quero ir dormir. Quero ver o Noddy. Não. Nãããã zzz z z z z z zzzzzzz

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15. E, perante o cenário de destruição, eu:

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No dia seguinte, repete.

Hair today

Há uma coisa que me arrelia nas betinhas (uma! AH!): é aquela maneira displicente de apanhar o cabelo, aquele gancho que mal posto está bem posto, aquele elástico que apanha o cabelo cá em cima e que fica sempre perfeito sobretudo quando não está perfeito. Mas elas ensaiam aquilo ao espelho? É que eu já as vi fazer aquilo em público e é zás trás lindo. Eu ponho um gancho e pareço uma sopeira transpirada, com uma testa gigante. Qual é o segredo, miudagem? 

 

Sleep with Me

Os podcasts são a minha maior fonte de entretenimento e um dia falarei dos que ouço. Mas a descoberta mais recente é o Sleep With Me, um podcast cujo objectivo é precisamente ser chato. Tão chato que faz adormecer. E não é que ainda não consegui ouvir um episódio completo? Aquilo embala-me e pimbas, já fui.

Cá para mim é um plano maléfico, uma espécie de candidato da Manchúria. Só que em vez de ao sinal eu me pôr a caminho no meu carro veloz para fazer mal ao Presidente da América, como aquilo é em estrangeiro eu fico mal programada, eles telefonam-me e dizem "O pintassilgo canta de madrugada com um timbre que parece um autocarro da carreira" ("The pintassilgue sings madrugs with taimbre of carreer bus") e eu acordo para a minha missão de correr nua da cintura para baixo até Badajoz, localidade na qual terei a missão de subir as escadas do El Corte Inglés até à secção das malas e dar um beijinho à menina Esther.

#Queimadíssima

 

A voz

Ao início este blog era de organização. Ainda não deixou de ser mas está a dar-me tanto gozo a faceta de blog pessoal que mudei aqui a ordem das coisas. É mais um diário que outra coisa qualquer. Até me dar uma travadinha menstrual e mudar para blog sobre rituais matrimoniais no norte da Europa ou sobre telefones fixos ou sobre arquitectura do séc. II (spoiler: era umas cabanas e umas cavernas e as pessoas fediam).